Contraste espacial entre o edifício Fortaleza Hall and the Commons em Racine, Wisconsin, Estados Unidos, 2006 – 2010, projeto do arquiteto Norman Foster, e o exterior.


O espaço na Arquitetura são conhecidos por nós através da materialidade, como paredes, portas, janelas e outros. Ao contrário do espaço, a espacialidade aponta para experiência e seu significado para uma pessoa, como sentir a textura do piso ao andar deslaço ou a lembrança da infância ao visitar a casa de seus avôs. Ao conceber a arquitetura a espacialidade media o espaço abstrato, o que se espera da arquitetura, para concretização de um espaço real.

Para Bruno Zevi, arquiteto e urbanista italiano, a arquitetura é a arte do espaço: “A arquitetura é como uma grande escultura escavada, em cujo interior o homem penetra e caminha”. Ao percorrer por dentro dessa grande escultura escavada o homem prática a espacialidade, ou seja, a experiência espacial.

De acordo com Zevi, o espaço é protagonista da arquitetura. As quatro fachadas de uma edificação constituem um caixa. O conteúdo do espaço está no interior desta caixa. “O espaço interior, o espaço que não pode ser representado perfeitamente em nenhuma forma, que não pode ser conhecido e vivido a não ser pela experiência direta […]”.

A essência da arquitetura, o conteúdo no espaço interior, não esgota os outros valores espaciais, como o exterior do edifício e elementos urbanísticos. Isto significa que a realidade de um edifício resulta de todos os fatores econômicos, sociais, técnicos, funcionais, artísticos, espaciais e decorativos, cada um destes possui liberdade para construção do espacial.


Fabrícia Dias (2012) em “A relação dos espaços interiores e exteriores na Arquitetura Paisagística” reflete  sobre dualidade entre o espaço interior e exterior. Segundo a autora, “o homem ocidental reflete esta noção do espaço fechado como espaço íntimo e de mistério em seu modo de viver, apoderando espaços internos pela acumulação de objetos, pois o indivíduo apresenta‐se apreensivo em locais vazios. Então, para isso é necessário preencher e acumular elementos escondendo o que está vago”.


O espaço não-construído, aberto acaba sendo denominado de mundo exterior. Em suas palavras este mundo é “indiferente ao sujeito, hostil, incerto, definitivo e nada apreensível, enquanto o espaço construído é tangível, emana ser o local de intimidade, bem‐estar e proteção”.


Morais concluí que o entendimento do espaço interior está ligado ao uso que se faz deste espaço, e o sentido que lhe conferem conforme a cultura, grupo social e a época.

Fortaleza Hall and the Commons, SC Johnson. Fonte: Norman + Parterns.

No  Fortaleza Hall and the Commons, SC Johnson, do arquiteto Norman Foster a dualidade entre o interior, marcado pela opacidade do edifício ao fundo, e exterior, representada pelo corpo cilíndrico permeável visualmente que permite que a paisagem faça parte do conjunto, é uma das possíveis ilustrações sobre esta reflexão da arquitetura do espaço.

Vista aérea da Residência JP. Fonte: Jacobsen Arquitetura.


Projeto de Cláudio Bernardes e Paulo Jacobsen, a Residência JP (2001-2003), localizada em uma imensa fazenda em Itacaré, Bahia, é exemplo de como a arquitetura se comporta no espaço. Esta grande fazenda é cortada por um rio e defronte ao oceano, descreve o escritório Jacobsen Arquitetura. O local escolhido para implantação do edifício foi o ponto mais alto do terreno. A decisão de mais impacto no projeto foi suspender a residência, fazendo-a flutuar no terreno.

Acesso principal da Residência JP. Fonte: Jacobsen Arquitetura.


Através de um complexo estudo de madeiras e os múltiplos encaixes dos elementos arquitetônicos torna desta casa a perfeita harmonia com a natureza, seja com a utilização de materiais ou com a aparente simplicidade, espaço que o interior permanece cumplicidade com o exterior.

Ligação entre os corpos paralelos da Residência JP. Fonte: Jacobsen Arquitetura.

Referências Bibliográficas

LEATHERBARROW, David. Space in and out of Architecture. ArqTextos. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/PDFs_revista_12/01_DL_espa%C3%A7o_300409.pdf>. Acesso em: 12 de Fev 2014.


Residência JP. Jacobsen Arquitetura. Disponível em: <http://www.jacobsenarquitetura.com/projetos/?CodProjeto=27>. Acessado em 16 Fev 2015.

SOUSA, J. Bruno Zevi: Arquitectura como Arte do Espaço. Cyber Democracia. Disponível em: <http://cyberdemocracia.blogspot.com.br/2008/06/bruno-zevi-arquitectura-como-arte-do.html>. Acessado em 12 Fev 2015.